A dor da perda.

Fez um ano dia 21 de Outubro que partiste para junto do Pai e nos deixaste fisicamente.
A doença não te matou, deu luta e tu lutaste para ficares só mais um pouco. E esse pouco foi muito.
Tudo o que possa dizer agora são apenas palavras soltas ao vento, mas tudo o que dissemos uma à outra foi de uma sinceridade inigualável. 
Guardo as tuas últimas palavras, o teu último olhar e o teu último sorriso no coração. 
Cumprirei o que me disseste sem pestanejar e sei que estás a olhar por mim com muito orgulho por eu estar feliz com as minhas escolhas e mudanças. Sabes que foi difícil. Os últimos dois anos foram dos mais difíceis da minha vida, por razões várias, mas o último porque tu não estavas. 
Quando ia à cozinha e não te via a ralhar com o avó para ir lavar as mãos antes do almoço e para colocar a placa na casa-de-banho.
Quando não tinha ninguém a perguntar-me que linhas ficavam bem em determinado pano, sabendo que esse pano seria para me oferecer.
Quando não tinha ninguém a dizer-me que estava magra e que tinha que me alimentar melhor.
Quando neste momento o teu sorriso me bastava.
Fica a saudade. A recordação.
De uma avó brilhante que sempre me deixou cantar e pular em cima da cama, que sempre me deixou estragar a sua permanente para brincar às cabeleireiras, que sempre me fazia o melhor leite com café e torradas com manteiga quando vinha da escola, que viu o Batatoon e os Morangos com Açúcar comigo e que ainda era mais fã que eu... 
Muito poderia dizer, mas o que te queria dizer, sempre te disse. 
Partiste para longe da vista, mas estarás sempre perto do coração.
Eterna saudade.


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