Emendar ou remendar a nossa vida?

Eis uma questão que muitas vezes coloco. Quando erramos ou fazemos alguma coisa que nos arrependemos mais tarde temos a tendência em remendar o sucedido, o certo é que muitas vezes voltamos a repetir o mesmo erro duas, três, quatro vezes... se o tivéssemos emendado não o teríamos repetido? Ou tínhamos? 
O José Luís Nunes responde a esta questão na sua crónica desta semana, que transcrevo de seguida e coloco a negrito as questões com que me identifico.
A verdade é que desde que assumi algumas das minhas fragilidades cicatrizei algumas feridas e isso foi fulcral na minha vida. As cicatrizes permanecerão, mas a ferida não estará aberta e não continuará a incomodar-me assim seja essa a minha vontade.


As aparências e mentiras com que, por vezes, somos tentados a esconder as feridas abertas das nossas fraquezas são remendos. 

Quando algo nos fere, rasga ou estraga, o importante é trabalhar nisso, com tudo o que resta, respeitando sempre a nossa integridade anterior e repondo-a na medida do possível. Sem ilusões e aceitando que todos somos frágeis e que, por isso, temos muitas cicatrizes... resultado de golpes que não conseguimos evitar ou de escaladas de violência que tomaram proporções maiores do que julgávamos.

É essencial que cada um de nós compreenda que a vontade de esquecer, disfarçar ou tapar as suas fraquezas com pedaços de vida que não é a nossa é um erro, enorme.

Nenhuma ferida se cura apenas por ser coberta, por vezes isso é apenas uma forma de a agravar. Emendar não é ocultar o defeito, é curá-lo. Dói, sempre e muito, mas vale a pena. Corrigir é superar-se a fim de ultrapassar o erro, assumindo-o e fazendo o necessário para o reparar em nós e naqueles a quem prejudicámos.

Remendar é misturar pedaços estranhos uns aos outros.

A vida é preciosa, íntegra e autêntica, apesar de todas as cicatrizes que são parte de nós, da nossa história e da nossa felicidade. Somos nós.

Aqueles que não assumem os erros próprios como seus e como parte do seu processo de aperfeiçoamento, de tantos remendos que colocam, chegam a um ponto em que já nem eles mesmos sabem quem são. Não têm emenda... são meros remendos em cima de remendos, já se acabaram... são apenas trapos sem história.

José Luís Nunes


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